Mais Ipanema
Já sabemos que este blog é parte do movimento Mais Ipanema, projeto que homenageia o bairro e é também responsável pela adoção e revitalização do Parque Garota de Ipanema, em obras no momento. Para nos contar um pouco mais sobre esta história convidamos Nina Almeida Braga, diretora do Instituto e que é a organização co-adotante do parque junto a Grendene.
- O que é exatamente a adoção do Parque Garota Ipanema pelo Instituto e?
O instrumento de adoção é um mecanismo através do qual o poder público - no caso a Fundação de Parques e Jardins (vinculada à Secretaria Municipal de Meio Ambiente) - delega para a sociedade civil a responsabilidade pela gestão de uma área pública. Então, desde julho de 2008 - quando o Instituto e venceu a licitação - passamos a cuidar do Parque e a manter um diálogo permanente com a Fundação Parques e Jardins. Isto porque o adotante, por ser o cessionário de um bem público, sempre tem que submeter suas propostas e projetos ao poder municipal. Até agora tudo fluiu bem, mesmo porque o governo tem percebido que queremos o melhor para o parque.
- Quais as principais motivações do Instituto e em adotar especificamente o Parque Garota de Ipanema?
É a de fazer do Parque Garota de Ipanema uma ‘vitrine’ do que pode ser um e-park, ou seja, um local onde haja uma confluência entre a sustentabilidade e a criatividade, aliada a uma convivência produtiva entre diferentes “tribo”‘. Isto inclui “‘recuperar” para a população um ícone do estilo de vida carioca, que repercute tanto no Brasil quanto em outros lugares do mundo e contribuir para que o valor de Ipanema e, especialmente, do Arpoador - berço do surf e do circo voador volte a ser reconhecido.
Também, queremos mostrar que é possível construir e solidificar parcerias entre segmentos da população com distintos perfis sócio-econômicos, introduzindo o conceito de ‘peace park’ criado pelo Mandela para desconstruir as fronteiras artificialmente construídas.
- E a parceria com a Grendene/Sandália Ipanema RJ como surgiu?
Surgiu a partir de uma compreensão apresentada pelo presidente do Instituto-e, Oskar Metsavaht, à diretoria da Grendene de que não bastava desenhar um novo modelo de sandália. A idéia foi de acordo com as intenções da empresa de fazer algo mais: contribuir para a revitalização do bairro e seu lifestyle. A adotar o parque com recursos provenientes de um percentual sobre as vendas das sandálias Ipanema RJ veio disso aí.
- Como a prefeitura atua nessa história? No que ela intervém, decide, autoriza?
Como dito anteriormente, a Prefeitura continua a ser a ‘proprietária’ do PGI. Nós somos aqueles a quem foi cedido este espaço público. Qualquer sugestão ou idéia nossa para uso do parque passa pelo crivo da administração municipal.
- Você acredita que a recuperação do parque vai motivar os moradores à frequentarem e manterem o local?
Sim, desde que o poder público faça sua parte, ou seja, garanta a segurança dos frequentadores. Este item é fundamental e por isto estamos em contato tanto com a Guarda Municipal quanto com a PM.
Caso este quesito de segurança seja efetivamente solucionado, tenho certeza de que muita gente vai passar a ir ao parque. Afinal, como dito, é um lugar q está na memória afetiva de muitos q assistiam aos shows de música na década de 80 que marcaram época num dos cenários mais lindos do mundo. A natureza foi generosa com o Arpoador e o carioca e seus amigos anseiam por finalmente usufruir desta maravilha.
- Como a sociedade pode contribuir para que projetos assim dêem certo?
De várias maneiras: exigindo que o poder público faça sua parte; reconhecendo o mérito de empresas - como a Grendene - que abrem mão da sua margem de lucro para investir em projetos sociais e, sobretudo, apoiando as ONGs para que, tal qual o Instituto-e, congreguem esforços para preservar um estilo de vida no qual o respeito à natureza e ao ser humano é absolutamente fundamental. No caso deste Parque, almejamos que a população torne a se sentir ‘dona ‘ de um espaço que é de todos.
Por: equipe Ipanema.blog




