Coincidências que fazem sentido
Fui à exposição Viagens Extraordinárias de Yves Saint Laurent, no Centro Cultural Banco do Brasil, aqui no Rio, e fiquei super emocionado. Lá, vi mais do que uma mostra . Era uma celebração da alma, espírito e sensibilidade do estilista. Uma coisa que admiro, além do seu trabalho, é o fato dele não ter se deslumbrado com seu talento e sucesso. Adoro suas respostas ao questionário de Proust: “Qual é a coisa que mais odeia? O esnobismo do dinheiro. Qual dom você gostaria de ter? A força física.” Entre estas e outras.
A exibição me fez lembrar quando fui a Paris em 2006 com Alberto Renault e visitamos a Fundação YSL. Lá, pude comprar como recordação postais e camisetas, uma inclusive que relembra a série das cobras (Saint Laurent era fascinado por estes bichos) - coincidentemente tenho duas tatuadas no braço desde 1995 -, e outra do Moujik (seu buldogue francês). Ele teve quatro cães dessa raça: Moujik I, Moujik II, Moujik III e Moujik IV. Certa vez, disse que eles “são como pessoas”. Por acaso, também tenho um buldogue francês e concordo com sua afirmação.
A exposição também me lembrou outra ida a Paris, em 2001, quando estava no Hotel Costes. Quem eu vejo no bar? Ele e seu eterno companheiro Pierre Bergé. E claro, Moujik (que era o IV…). Foi o máximo! Numa ida ao Marrocos, visitei sua casa e de Bergé, onde nos jardins estão suas cinzas.
Tenho que confessar, também, que as pessoas falavam muito que eu era parecido com ele (e você fica desconcertado quando acham você parecido com alguém que admira…), até que um dia, a Joyce Pascowitch me convidou para posar “incorporando” YSL tal qual no retrato nu de 1971 (clique aqui para ver). Fiz a foto, e ela foi publicada uns 6 meses antes de sua morte em 2002…
Olhando as peças e referências da coleção de alta-costura “Os Africanos”, me impressiona a forma como Saint Laurent conseguiu transportar a riqueza cultural e histórica de um povo em uma peça de roupa.
Acho que a forma de YSL expressar a própria vida e o trabalho dá um sentido e contribui de certo modo também para a minha percepção; e não falo somente de estética, falo de valor e de atitude. Isso me faz acreditar ainda mais em seu lado humano e sensível.
Bem, tudo isso para tentar explicar que a mostra não é apenas uma apresentação de objetos de luxo, artigos de alta-costura e sofisticação. Há também uma exaltação ao simples e humano.
Para terminar, sua frase que mais gosto:
“A roupa mais bonita para vestir uma mulher são os braços do homem que ela ama. Para as que não tiveram essa felicidade, eu estou aqui”.
Por: Felipe Veloso









