Layana Thomaz
Layana Thomaz é uma mulher forte. A estilista, que antes trabalhou como modelo e produtora, enfrentou três cirurgias cardíacas. A última, em 2003, a fez repensar os rumos de sua vida e serviu de inspiração para a primeira coleção que assinou. Em pouco tempo, seu nome correu o mundo fashion, várias coleções se seguiram e culminaram em bem-sucedidos desfiles na semana de moda carioca. Layana abriu seu próprio ateliê, montou sua equipe e também investiu em uma linha de camisetas infantis e masculinas. A produção chegou a sete mil peças por coleção e o desgaste físico e emocional envolvido no processo motivou uma decisão drástica.
Em 2007, época em que foi apontada pela jornalista Iesa Rodrigues como uma das estilistas que estavam alcançado o topo, Layana sentiu que o oxigênio estava faltando e que precisava respirar. “Queria ter mais controle sobre minhas criações, sentia a necessidade de ter mais cuidado com o destino das minhas roupas e sabia que isso não era possível”, explicou ao Ipanema Blog. Aos poucos, Layana foi se retraindo, mas quando estava pronta para abrir sua primeira loja em Ipanema resolveu, mais uma vez, mudar de caminhos.
Layana largou tudo e foi passar uma temporada em Paris ao lado do marido, o francês Stefan Van Swieten. “Meu coração estava na França e minha cabeça no Brasil. Depois de tantas idas e vindas, resolvi juntar os dois por lá”, conta. A viagem funcionou como uma oficina de reciclagem: “fui fazer pesquisa, precisava respirar novos ares, me desvencilhar de tudo”. E quando diz “tudo”, é “tudo mesmo”. Às vésperas da viagem organizou um bazar para se desfazer de todo o estoque de sua marca, peças de desfile, objetos de decoração e utensílios de sua casa e 500 pares de sapato. “Vendi um Courrèges numerado por R$ 150″, conta, com desapego.
O que era para ser um bazar entre amigos e os amigos dos amigos ganhou força na imprensa e mobilizou muitos curiosos. “As pessoas construíram um romance sobre a mulher que estava indo para Paris atrás de um amor, de uma nova possibilidade profissional, e se desfez das coisas pessoais por míseros cinqüenta centavos”, relatou em carta aos amigos na época, com bom humor. Depois de se livrar dos bens materiais e virar mais um capítulo de sua história, partiu para Paris e de lá viajou pela Ásia. No Vietnã, Camboja e Tailândia, fez pesquisa de tecidos e tendências e, já decidida do que queria, resolveu voltar. “Entendi que preciso de tempo para entender os temas que motivam o meu trabalho, para mostrar o meu valor, quero ter tempo de testar, errar e acertar”, justifica.
Para o futuro, Layana está com um projeto em fase de captação com previsão de lançamento para outubro. Ainda em segredo, a história envolve uma equipe de nove pessoas e está calcada na arte, no entretenimento, no conteúdo e, claro, na moda. “Agora que voltei, continuo me dividindo entre a França e o Brasil, mas aproveito o tempo por aqui lendo muito, estudando e curtindo os meus amigos que fizeram tanta falta quando estava lá”, finaliza.
Por: equipe Ipanema.blog


