Costa Rica lifestyle
Minha primeira vez na Costa Rica foi em abril de 94. Trabalhei todo o verão como vendedor em uma loja em Búzios para juntar meu dinheirinho de viagem. Com um grupo de amigos fomos direto a Tamarindo, que naquela época, começava a entrar na moda entre os surfistas americanos. Avellanas, Playa Negra e Roca Bruja foram algumas das ondas que surfamos. Não demos sorte com o swell e acabamos por nos aventurar em vulcões, rafting e parques ecológicos. Confesso que como caçador de ondas, havia criado uma certa antipatia com o país no que se referia a surf de qualidade.
Quinze anos depois fui convidado por um de meus melhores amigos, um surfista japonês, que me garantia que existiam boas ondas mais para o sul, uma parte mais remota, que ele descrevia como “quase um condomínio fechado de amigos”.O resultado foram quinze dias de quase seis horas diárias de água salgada, comida indescritível e, de quebra, um casamento de sonhos no meio da selva. Inacreditável!
Cheguei no aeroporto e três amigos já me esperavam com o Jeep 4 x 4 alugado e com as pranchas no teto. Foi só ligar o ipod ao som e pegamos estrada ao som de Gregory Isaacs, Bob Marley e Steel Pulse. Chegamos a nossa primeira parada 5 horas depois de atravessar a cordilheira entre a capital San José e Playa Dominical, no Pacífico. Cansados da trip, conversamos com o dono do hotel onde ficamos que, além de não nos cobrar a estadia, nos mostrou onde seria o surf spot secreto para o dia seguinte. Dito e feito. Ondas perfeitas e só nós na água. Sonho.
Dois dias de preparação e saímos em direção ao nosso real destino no sul da Costa Rica: casa paradisíaca de outro amigo, Julian, australiano que havia feito sua mansão em frente a uma das melhores direitas que já surfei. Após uma semana surfando sem parar e comendo peixe fresco a cada refeição, começaram a chegar os convidados para o casamento de Chris e Claire, uma dupla de NY que mantém sua casinha no meio do mato costarriquenho. Foram quatro dias de surf e festas nonstop - cada dia na casa de um amigo. Gente vindo de Sidney, Tokyo, LA, NY e Londres. A primeira foi no jardim da casa de Brian, um londrino que construiu sua cabana na copa de uma árvore, e não satisfeito, trouxe, dirigindo, um trailer antigo desde a Califórnia para hospedar os convidados. Todos juntos em uma península desconhecida onde araras, macacos, tucanos e outros bichos se misturavam aos visitantes.
O casamento aconteceu em um final de tarde radiante em frente a praia. Após a troca de alianças e o “grande
beijo”, o encerramento: todos da festa pra dentro d’água com suas pranchas! Quarenta amigos no line-up depois de algumas taças de champagne e prontos pra muitas mais. A festa foi noite adentro, com dois jantares, aperitivos e boa música comandada por um DJ nova-iorquino.
Quatro dias de ondas perfeitas fecharam com chave de ouro nossa viagem. Surfei até cair, conheci gente incrível e comi como os deuses. Com certeza um lugar que recomendo a qualquer amigo. Já estou com saudades!
Santiago Bebiano









