Adriana Mattar
IB – Como foi a experiência de morar no Japão ainda como modelo?
AM- Costumo dizer que foi meu treino para me tornar chef. Aprendi a me adaptar e encontrar soluções rápidas para tudo. Por exemplo, me entregavam um mapa para chegar em cada trabalho, as placas das ruas são escritas em japonês. Fora o trabalho duríssimo de acordar de madrugada e ter de seguir uma disciplina militar de horários e regras de comportamento rígidas. Tudo isso me preparou muito bem para fazer qualquer coisa que eu decidisse na vida depois.
IB - E como aconteceu a transição entre a carreira de modelo e a de chef?
AM - Foi quando eu tive meu primeiro filho e estava sem poder trabalhar como modelo. Comecei a inventar o “Guia Boas Compras” de gastronomia. Já tinha me formado em jornalismo e sempre me interessei por cozinhar. Daí do Guia para começar a fazer festas cozinhando para os amigos foi um pulo. Me foquei e tudo que fiz em seguida foi para me educar mais. Fiquei viciada em livros de culinária. Tenho uma biblioteca hoje com mais de 500 livros. Me considero uma autodidata que virou chef profissional tardiamente. Sinto o maior orgulho da nossa história.
IB – Em que momento você viu que cozinhar poderia ser uma profissão?
AM - Não planejei. Foi acontecendo naturalmente. As pessoas foram me pedindo para cozinhar na casa delas o que tinham experimentado nas minhas festas e assim foi… Fui conquistada pela cozinha. Se tornou uma paixão irresistível. Foi muito duro no começo. Eu, com filho pequeno e com uma equipe mínima, fazendo tudo sozinha. Agora já dá para respirar. Claro que tem o trabalho diário de muitas horas e sei que isso é pra sempre. Mas adoro meu trabalho. Esqueço do tempo passando.
IB - E o Cooking Buffet? De onde surgiu a idéia?
AM - Tive antes um restaurante japonês com um sócio e melhor amigo em Tóquio, mas apenas administrava. Depois investi no restaurante Anexo Artefacto por um ano. Precisei escolher entre o restaurante e o buffet e sem hesitar escolhi a rotina dinâmica do buffet. Fazemos até seis festas por dia, nos lugares mais diversos. Essa mistura é muito estimulante. Mantém a criatividade funcionando, desafiada sempre.
IB – Como é já ter sido elogiada por nomes como o Rogério Fasano?
AM - Fomos escolhidos por ele para fazer o coquetel de inauguração do Hotel Fasano e depois de uma cerimônia pessoal dele. Senti uma honra imensa. Sou fã dele e do grupo há muito tempo. Dá mais coragem para continuar.
IB – Quais os pratos você acha que vão bombar no verão?
AM - Aposto no Camarão Thai. É um best seller aqui no Buffet. Vamos apostar também em pratos descomplicados com menos molhos e ótimos ingredientes. Estou adorando usar os mini legumes e mini verdes orgânicos que a gente já acha nas fazendas produtoras aqui no Rio. Tem um sabor genial e são lindos.
IB – Aliás, você também cozinha em casa?
AM - De jeito nenhum! Cozinhava muito em casa antes de virar trabalho. Ia à feira todo sábado, comprava peixe fresco e adorava preparar ouvindo ópera e convidar os amigos. Mas isso faz muito tempo. Agora a vida gastronômica em casa é de dieta, alimentação balanceada, para compensar os excessos das festas.
** Fotos: Divulgação
Por: equipe Ipanema.blog






