Sharon Battat - Made in NY
A história começa assim: Muitos dos seus amigos já haviam visitado o Brasil e falado para ela que NY não seria ninguém depois que conhecesse o Rio de Janeiro. Compromissos pra lá e pra cá, até que, em um restaurante cubano da cidade americana, ela e o grupo de amigos decidiram passar férias no Rio. E o que os amigos previam aconteceu. Hoje, já fazem três anos que a produtora Sharon Battat mora na cidade.
Por aqui, além de ter um vira-lata de estimação, Sharon está à frente do seu escritório Litmedia (com sede em NY), recentemente fez a curadoria da expo Spirit of Brazil e organizou a festa da Calvin Klein, que rolou, em outubro, no Fasano, para apresentar a nova coleção de lingerie e jeans da grife. Aqui, com o português temperado com seu sotaque gringo, ela fala sobre moda, arte, estilo e, é claro, Rio de Janeiro.
IB - Você está no Brasil há cerca de três anos. Como começou a sua relação com o país e por que decidiu morar aqui?
SB - Sempre tive vontade de conhecer o Brasil, e por um motivo ou outro não consegui vir. Tinha amigos de NY que voltaram a morar no país e sempre me ligavam falando que eu tinha que vir, pois nunca mais iria querer voltar para NY. Finalmente um dia eu estava com amigos em NY, no frio do inverno, com neve ate o joelho, e falei “de maluca”: vamos tirar férias no Brasil! Não pensamos nem um minuto e logo um de nós estava ligando para reservar passagens.
Quando cheguei aqui achei o lugar mais lindo que já havia visto (e não é fácil me impressionar, pois já viajei muito pelo mundo). Não existe lugar mais bonito do que o Rio. Adoro o pôr do sol da praia em Ipanema e como as luzes do Vidigal parecem estrelas na montanha. Voltei a NY e fiquei com uma saudade absurda do Brasil. Foi quando decidi abrir a Litmdeia aqui também.
IB - Quais as diferenças entre a moda no Rio e em NY, que você percebe?
SB - O Rio é uma cidade muito cosmopolita. Tem gente do mundo inteiro aqui e a moda brasileira e internacional se seguem. Mas tem diferença no personal style do carioca. Cariocas são mais naturais, mas acho que sempre tem essa diferenca quando as pessoas moram perto da praia. NY não dá para definir. Tem tantas pessoas diferentes.
- Foto: Daniel Klajmic
- Foyo: Michael Muller
IB - Você está por trás do Spirit of Brazil… Como você define o espírito do brasileiro?
SB - Foi um projeto que fez muito sentido. Eu adoro o Brasil e trabalho com fotografia. Foi uma curadaria muito divertida e algo muito natural. O espírito brasileiro para mim é livre e feliz.
IB - E entre os artistas brasileiros (seja na moda, artes plásticas, música etc.)? Quem você curte?
SB - Acho que tem muitos artistas muito talentosos no Brasil. Existe muita criatividade. Adoro o trabalho do Smael, Gais, Braga, Piá, Leo Uzai, João Lelo, Mate Lelo, Ment, Antonio Bokel, Ricky Castro, Flavio Samelo, Angelina Camelo. SP tem muitas galerias mais alterantivas e agora tem o Cartel 011 e Matilla Cultural que estão fazendo coisas bem legais. Música realmente conheço mais a antiga. Não conheço muitas bandas novas, mas acho que vale à pena prestar atenção no trabalho do Pedro Kakowicz.
IB - O que mais gosta de fazer para se divertir por aqui?
SB - As coisas que eu mais gosto no Rio realmente são a praia e a Lagoa. Mas acho que deveria ter um tipo de boate na praia ou nos quiosques da Lagoa, como tem em Ibiza. Imaginei que cidade teria muito disso e não tem nem um. Gosto muito do Baile de Charme, que rola no Viaduto de Madureira e do GIG.
IB - Quem você vê como um ícone da moda brasileira?
SB - Daniel Ueda. Ele entende muito de moda. É capaz de fazer 10 desfiles em um dia e cada um ser diferente um do outro. Outra pessoa que, sem dúvida, é um ícone da moda brasileira é o Giovanni Bianco, e nem preciso falar o por quê.
IB - Além do Spirit of Brazil, quais são seus projetos atuais?
SB - Fizemos o evento da Calvin Klein Jeans na Piscina do Fasano. O Felipe Veloso fez o styling e a Erika Monterio a beleza. Acabei de fazer a curadoria para duas exposições que rolarão ano que vem. A Litmedia está começando a abrir outras portas, fazendo consultoria para marcas e experimentando representar no Brasil alguns fotógrafos de fora como o Vincent Peters e Sacha T.
IB - Tem projetos específicos para o Brasil em vista?
SB - Acabei de fazer a curadoria para uma exposição do Keith Haring, que acontecerá ano que vem, para marcar os 20 anos de sua morte. Queria fazer algo que celebrasse a vida e o trabalho dele e ao mesmo tempo integrasse a questão da prevenção do HIV, com alguns parceiros legais e palestras de amigos do Keith. Estou bem empolgada com esse projeto.
IB - Se pudesse levar um pedacinho do Rio para NY qual seria?
SB - Com certeza seria a praia, água de coco, minha vira-lata e meu periquito, que veio de Niterói!
Por: equipe Ipanema.blog






