Ana Cañas
Quem já foi a um dos seus shows ou assistiu seus clipes sabe: Ela adora fazer caretas. Apaixonada por jazz desde que ouviu Ella Fitzgerald interpretando a música Night and Day, Ana Cañas começou tímida pelos bares de São Paulo. Após desistir da carreira de atriz para viver de música, hoje ela é apontada como um dos principais nomes da música nacional. Em uma pausa entre as viagens Rio-São Paulo e os planos de se mudar para o Rio até o final do ano, a cantora conversou com o Ipanema Blog sobre artes, música, estilo etc.
IB - Fale um pouquinho sobre você? Como começou a carreira, desde quando percebeu que queria cantar?
AC - Comecei inspirada por Ella Fitzgerald. Após ouvir uma música cantada por ela (Nigth and Day - Cole Porter), me apaixonei por jazz (que até então, desconhecia). Daí para os bares, botecos, foi um pulo. Juntei um trio de músicos e comecei a sobreviver de música aos 22 anos.
IB - Qual a origem do seu sobrenome?
AC - É espanhol. E são dois! Cañas Cañas…
IB - O seu trabalho é bastante ligo às artes visuais. Como é a relação, pra você, entre música e imagem?
AC - Muito importante. Elas se complementam. Sempre me frustro quando compro um disco de um artista que possui um encarte pequeno etc. Sou apaixonada por artes visuais (cinema, fotografia, artes plásticas etc.).
- Por Daniel Gurgel
- Com Mariana Ximenes
- Teatro Rival 08
- por Daniel Gurgel
IB - Como foi a decisão de desistir das artes cênicas para mergulhar na música?
AC - Foi natural. Até porque dar aulas de teatro seria tão ou mais difícil do que cantar. Optei pela música por que não tinha outro jeito de ser feliz. Simples (e complicado) assim.
IB - Suas músicas possuem letras bem cuidadosas. As palavras se encaixam como poesia. Como é o seu processo de composição? Quais coisas no seu mundo e no mundo lá fora te estimulam?
AC - Obrigada. Eu tenho um interesse muito grande por poesia, e tenho me aproximado cada vez mais desse universo (que é imenso). Tenho lido Waly Salomão, Rimbaud, Drummond, Leminsky etc. Eu costumo compor quando tenho algum mote, alguma idéia, alguma frase. E isso pode acontecer em qualquer hora do dia, em qualquer lugar. Já me peguei escrevendo de madrugada, de manhã, enfim… Tudo me estimula. Ontem mesmo, estava assistindo a um DVD do Cazuza e bumba! Escrevi uma nova letra inspirada pela verdade dele. Se é boa ou não, o tempo vai dizer. Ele é o verdadeiro crítico de arte. Além do público.
IB - Dos nomes dessa nova geração de artistas, quais você considera importantes, seja na literatura, música, artes visual etc.?
AC - Gosto dos Osgêmeos, Beto Brant, Karin Ainouz, Selton Mello, Marcelo Cidade, Juergen Teller, Mario Cravo Neto, Arnaldo Antunes, PJ Harvey, são tantos…
IB - De onde surgiu a idéia do Selton Mello dirigir um dos seus clipes?
AC - Da minha cabeça maluca…! Eu já o conhecia há tempos, mas admiro e respeito a paixão que ele tem por cinema. Foi só fazer o convite. Ele é um grande artista. Íntegro, sutil, dedicado, inteligente, inspirado. Motivos suficientes para qualquer um que se interesse por arte se aproximar. E é um grande diretor. Caramba, fazer cinema nesse país é tão difícil! Admiro essas pessoas demais!
** Esconderijo - Dirigido por Selton Mello
IB - Como foi a transição de tocar para públicos menores, nos bares de SP, e passar a encarar não só um público maior, mas receber também uma atenção maior da mídia?
AC - É uma responsa muito grande, porque quanto mais a bunda na janela, maior pode ser o tapa…. Mas é muito bom sentir que um número maior de pessoas tem acesso a sua música, ao que você quer dizer…
IB - Além da turnê, quais são seus projetos atuais?
AC - Estou aprendendo aos poucos a tocar guitarra (ganhei uma telecaster de presente) e violão. Adoro e estou viciada nisso agora… Nos timbres, nos sons…
IB - O que o público carioca pode esperar do seu show?
AC - Verdade.
IB - Você fica até quando na cidade?
AC -Estou na ponte aérea. Vou e volto. Tenho uma vida aqui em SP ainda, mas, aos poucos, estou me programando para que, até o fim do ano, eu me mude para o Rio.
IB - O que mais gosta aqui no Rio?
AC - É uma cidade solar, alegre. Gosto dos bares, das pessoas, da natureza, da vida musical, da simpatia, Santa Teresa, Leblon, Jardim Botânico, Circo Voador, Canecão… Simplesmente adoro o Rio.








