Beyond Ipanema: a música brasileira no mundo
“Tudo começou em Ipanema. Foi a musa de Tom e Vinícius que colocou o Brasil na história da música”. A declaração do produtor Béco Dranoff, explica o porquê de seu documentário em parceria com o jornalista Guto Barra sobre a música brasileira leva o nome “Beyond Ipanema - Brazilian Waves in Global Music”. “Como o nome sugere, pretendemos ir além de Ipanema e mostrar o que foi o passado e o que é o futuro da música brasileira”, completa Béco. No filme de 89 minutos - que levou três anos para ser rodado -, músicos de renome internacional como David Byrne, Devendra Banhart, M.I.A e Thievery Corporation, além dos nossos Mutantes, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Bebel Gilberto e muitos outros analisam a importância da música brasileira para o cenário global.
O filme, que tem sua estréia mundial no próximo dia 17, durante o festival Première Brazil, no Museu de Arte Moderna de Nova York, tem direção de arte assinada pelo badalado designer Giovanni Bianco, que já trabalhou para Madonna e Missoni. A influência brasileira na história da música é contada desde a ascensão de Carmem Miranda, nos anos 40, o impacto da Bossa Nova passando pela revolução da Tropicália até chegar no cenário atual, em que grupos como o Bondê do Rolê e Cansei de Ser Sexy, ou simplesmente CSS, conquistam a crítica especializada internacional. Ao longo do filme, cerca de 50 canções brasileiras são apresentadas, entre artistas do passado e a nova geração. “Quando estávamos terminando a produção, continuamos descobrindo novas bandas e novas histórias. Sempre vai haver alguma novidade despertando atenção do resto do mundo, como a banda Garotas Suecas, que seguiu os passos do CSS. Todos os dias, novos artistas aparecem. A histórica continua e vai continuar traçando seu caminho além de Ipanema”, profetizou o jornalista Guto Barra, que assina a direção do documentário
Além de traçar a linha do tempo, o documentário mostra curiosidades como o momento da venda do vinil mais caro lançado no Brasil. Uma cópia em 45 rotações com duas gravações de 1966 da banda O’Seis, que mais tarde se tornaria Os Mutantes. O disco foi arrematado por U$ 5 mil. Durante a produção, os mesmos Mutantes, que ficaram parados por 30 anos, voltaram a se reunir para uma série de shows nos Estados Unidos em 2006, que culminou com um show para 30 mil pessoas em Chicago, tudo apresentado na tela. “Esperamos que ‘Beyond Ipanema’ plante uma semente em muitos jovens que vão assistir ao filme, tomara que isso os anime a ouvir e a fazer música inspirados no que viram na tela”, acrescenta Béco.
Confira abaixo a entrevista que o Ipanema Blog fez com Guto Barra e Béco Dranoff:
Ipanema Blog: Por que fazer um documentário como “Beyond Ipanema”?
Guto: Acho que o principal motivo foi que ainda não existia um projeto exatamente assim.
Béco: O Guto é jornalista e era correspondente prá vários veículos no Brasil, muito ligado a arte e música. Eu vivo em NY há 20 anos, sempre promovendo e produzindo a nossa música aqui e no mundo. Foi um processo natural das nossas experiêcias profissionais e o amor pela nossa música.
IB: Como foi a seleção dos artistas e o contato com eles?
Guto: Desde o início tínhamos a nossa “dream list” e acho que conseguimos cobri-la muito bem. Ficamos especialmente felizes em ter entrevistado lendas do Jazz americano, como o produtor Creed Taylor, da Verve Records (um dos primeiros a descobrir a Bossa Nova), e o saxofonista Bud Shank (um dos primeiros a experimentar com ritmos brasileiros, nos anos 50, com o violonista brasileiro Laurindo Almeida). Não poderíamos deixar de ter nomes como David Byrne, Caetano Veloso e Gilberto Gil, é claro. Surpresas bacanas foram a M.I.A. e o Tom Zé. Quase todo mundo aceitou na hora, simpatizando com a idéia logo de cara, mas em alguns casos tivemos que esperar um pouco por conta da agenda de cada um. O fato de o Béco trabalhar há tantos anos na indústria da música facilitou bastante o acesso.
Béco: O Guto tinha já contatos no setor dos críticos e jornalistas entrevistados (Nelson Motta, Ruy Castro, Jon Pareles do NY Times). Eu já tinha os contatos no meio artístico, fomos bem complementares nesse aspecto.
IB: Quais foram as maiores dificuldades na hora de filmar?
Guto: Desde o início o interesse tem surpreendido bastante a gente. Muita gente por aqui tem uma paixão intensa pela música brasileira. A história é sempre a mesma: alguém descobre um artista ou uma música e daqui a pouco está completamente hipnotizado.
Béco: Não tivemos muitas dificuldades na hora de filmar. Quando você marca uma entrevista com camêra fica tudo ok.
IB: E as melhores coisas?
Guto: Temos bastante orgulho da parte musical do filme. Decidimos misturar interpretações modernas de clássicos (como a versão de David Byrne e Marisa Monte para “Águas de Março/Waters of March”, ou a de Bebel Gilberto para “Summer Samba (So Nice)”; mas também incluir faixas originais de artistas novos, como Apollo Nove, Curumin, DJ LK, Brasov, Garotas Suecas e Zuco 103. Temos ainda composições feitas exclusivamente para o filme, pelo brasileiro radicado em Nova York Flavio Lemelle, e gravamos uma versão de “The Girl From Ipanema”, produzida por Apollo Nove, com vocais de Geanine Marques.
Béco: A melhor coisa é ouvir em primeira mão in loco as histórias e opiniões de gente como Gil, Caetano, David Byrne, Creed Taylor, e todos nossos convidados que concederam entrevistas incríveis.










