Graffiti+Rio+Ment
Hoje é Dia do Graffiti, como falamos ontem, e não poderíamos deixar passar em branco já que a street-art vem ganhando cada vez mais espaço nas ruas do Rio e nossos artistas sendo associados ao mood carioca. Para marcar a data, conversamos com Marcelo Ment que, há mais de 10 anos, desenha pelos muros da cidade. Conhecido da Zona Norte à Zona Sul, Ment fala sem censuras e avisa. “Moramos em uma cidade riquíssima culturalmente e é preciso que nós cariocas passemos a dar mais valor ao que temos”.
IB - Antes, o graffiti era uma arte mais associada a São Paulo e, com o tempo, vem ganhando espaço no Rio. Por que você acha que o número de grafiteiros (ou street artists) está aumentando no Rio?
MM - O Rio de Janeiro, até o começo dos anos 90, não tinha graffiti nas ruas. Esse crescimento acontece em todos os centros urbanos e nossa cidade está em evidência. Com a explosão da internet, a abertura e aceitação que a cidade dá ao graffiti em geral faz com que um número cada vez maior de artistas,desenhistas, designers etc., queiram se arriscar a pintar na rua, onde um número imenso de pessoas tem contato mais direto do que em outras linguagens e suportes.
IB – E como você começou a fazer grafitti?
MM -Sempre gostei de desenhar e desde criança tive contato com a arte, através dos meus irmãos. Era viciado em gibis e quadrinhos e, com meus amigos skatistas, vi as primeiras imagens de graffiti e da cultura de rua nas estampas das roupas, nos desenhos nas madeiras, e nos vídeos com as pistas grafitadas. Daí passei a fazer desenhos de personagens e letras e em 1998 comecei a pintar nas ruas.
IB - Qual o melhor roteiro de lugares para quem quer conhecer o grafitti carioca?
MM -Acho a Lapa é essencial, Santa Teresa, Tijuca, Méier… Não quero excluir esse ou aquele bairro, mas não temos muitas produções, como chamamos muros grandes em que vários artistas se reúnem. É possível encontrar ótimas pinturas onde menos se imagina e isso é só o começo.
- Holanda
- Ment e Big (Ipanema)
- "Cartola" por Ment
- Ment e Kendo (Brasília)
IB - E quais artistas são fundamentais na arte local?
MM - Temos vários, e alguns são grandes amigos, então fico em uma situação difícil!. O Eco, por ser pioneiro e estar em atividade constante, o Swk de Santa Teresa, os grupos Nação e Fleshbeck, só pra citar alguns.
IB - Aliás, o que é indispensável para ser um artista relevante?
MM - A busca por sua identidade, estar sempre buscando novas referencias e indo pra rua pintar. E não adianta querer conquistar respeito de um dia pro outro. Me orgulho muito de ter pinturas por vários locais da cidade da Zona Norte à Zona Sul, algumas com 4 ou 5 anos intactas, sem uma pichação.
O respeito das ruas é essencial, muito mais que o sucesso comercial. Sem demagogia ou hipocrisia. Vivo da minha arte e é preciso que as pessoas gostem do que faço, mas essa não é a minha prioridade ou foco principal, quero continuar pintando e aprendendo cada vez mais.













