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03 de dezembro de 2009

Carlos Tufvesson além das passarelas

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Nome forte da moda brasileira, Carlos Tufvesson é conhecido por não manter seu talento apenas no ateliê. Mesmo com a agenda atribulada, o estilista também é visto por seu engajamento em causas sociais, como “A Moda na Luta Contra o HIV”, que este ano teve sua oitava edição e contou, pela primeira vez, com apoio da Ipanema RJ (junto à Ecobag Radical Chic, assinada por Miguel Paiva).

Entre a correria de produzir e apresentar nova coleção para a temporada, divulgar o movimento contra a AIDS e planejar o lançamento da linha de móveis, junto ao André Piva, Carlos conversou com o Ipanema RJ sobre sua relação com a moda e o seu esforço em transformar esta em um canal de conscientização do público.

Mesmo tendo seus minutos diários todos planejados, o estilista não mostra cansaço. “É como um desfile: No dia, você está tão exausto que jura nunca mais desfilar! Depois termina e você já está pensando na luz da próxima temporada.”.


IB - Como surgiu o seu interesse por causas sociais e o surgimento da “A Moda na Luta Contra o HIV”?

CT - Há 12 anos milito no Movimento Aids por achar absurdo a causa de pré-existência alegada pelos seguros de saúde. Na época, não aceitavam os soropositivos, até conseguirmos mudar as leis.

No mais a aids levou toda uma geração de colegas profissionais de moda e creio que era o momento de honrarmos sua memória lembrando os outros sobre o fato que a cura não existe e muito menos grupo de risco. E daí nasceu há oito anos a campanha “A moda na Luta Contra o HIV”.

IB – Qual relação você vê entre moda e melhorias sociais? Você a considera um instrumento de conscientização?

CT - Acredito que a visibilidade que nós, profissionais de moda, temos deva ser usada em prol de uma causa social. Apesar do papel da moda estar centrado na evolução das roupas, nós podemos usar nossa figura pessoal para militar em prol de uma causa. Como, aliás, todos nós cidadãos deveríamos.

IB – Aliás, você acredita que estão descobrindo o poder da moda na sociedade?

CT - Ainda não. Precisamos primeiro descobrir uma união dentro da moda, em prol de causas em comum. Tradicionalmente, o nosso não é um setor unido. Sei lá o porquê, mas é quase cultural.

IB – Você participa de outros projetos como este?

CT -  Participo de algumas ações como, por exemplo, a da L´Oreal, importantíssima que se chama “Cabeleireiros contra a AIDS” e obviamente minha militância em prol dos direitos civis dos homossexuais no Brasil

IB – Quando planeja um projeto com “A Moda na Luta Contra o HIV” qual é o seu objetivo principal? E o que você gostaria de melhorar no engajamento do público com o bem estar social?

CT - Trabalhamos com o conceito de “a informação é a melhor arma para a prevenção”. Queremos comunicar de maneira simples algo ainda cheio de dogmas (como tudo que se trata de sexo), que é o uso do preservativo. Ainda hoje isso é responsável por contágios que poderiam ser evitados.

IB – Como você consegue b a sua agenda de estilista com projetos como este?

CT - Não consigo. É sobre-humano. Ainda mais neste ano que a campanha caiu na mesmo semana dos lançamentos e estava em SP.

Coordenar assim foi dificilíssimo, mas minha equipe mega antenada e dentro desta causa há anos sempre leva adiante e a cada ano conseguimos crescer e fazer acontecer mais.  E, no fim, quando vejo o Cristo iluminado, o coração aperta e já começamos a pensar no ano que vem. ;)

Por: equipe Ipanema.blog

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26 de novembro de 2009

A moda de Adriana Bechara

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Para ela o essencial para ter estilo é o autoconhecimento. E não estamos falando de qualquer pessoa. À frente da edição brasileira de uma das revistas de moda mais importantes do mundo, a jornalista e coordenadora de moda Adriana Bechara sabe do que está falando.

Carioca antenada, desde pequena, em moda, Adriana “começou a carreira” mergulhando no armário da mãe. “Ela sempre foi fashionista e envolvida com o mercado.”, conta. Por isso mesmo, entrar para o este mundo não foi tão simples. “Tive que batalhar muito, provar que era capaz e aprender com as pessoas que me deram oportunidades”, lembra.

Mais tarde, apesar de sentir falta do Rio, se mudou para Sampa, onde assumiu a posição que mantém até hoje. “Reuniu a fome com a vontade de comer. Me adaptei na hora em que cheguei.”. Em uma conversa rápida com o Ipanema Blog, Adriana fala sobre tendências 2010, Rio de Janeiro e, claro, a pressão de ser coordenadora de moda da Vogue brasileira.

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Claudio Torelli e Adriana Bechara

IB - Quando você percebeu que queria trabalhar com moda e como começou sua carreira?

AB - Quando era pequena e via as revistas e roupas da minha mãe. Ela sempre foi fashionista e envolvida com o mercado. Mas entrar nele não foi fácil por causa disso. Tive que batalhar muito, provar que era capaz, insistir sem dúvidas e aprender com as pessoas que me deram oportunidades: Eloysa Simão, Giorgio Knapp, Ernesto Baldan e Regina Guerreiro. Isso no começo. Mais tarde foram Marcia Disitzer, Daniela Falcão, Joyce Pascowitch e agora Patricia Carta e Dani Falcão de novo: aprendo o tempo com as duas.

IB - Como é sua rotina como coordenadora de moda da Vogue? A pressão é muito grande por estar à frente de uma das principais revistas de moda?

AB - É uma rotina imprevisível, tudo depende de onde, como e quando faremos os editoriais de moda. Assim como nada na revista pode ser previsível, a vida de quem trabalha aqui também não é. Existe muita pressão. Fotos, textos e matérias em geral não tem que ser boas, tem que ser excelentes, espetaculares.

Se não forem, caem no buraco negro das derrubadas. Além de serem boas, tem que combinar com a edição, tudo na revista deve dialogar. Então é muita pressão? Sim, muita. Mas é muito excitante e estimulante trabalhar em um lugar assim. Estamos sempre nos testando e procurando fazer o melhor.

IB - 2010 será o ano de quem, na moda, música, artes, na sua opinião?

AB - Lady Gaga, Raquel Zimmermmann, Alexander Wang, Pedro Lourenço e muito mais.

IB - E no verão? O que não pode faltar na bolsa de praia das pessoas?

AB - Maxilenços que viram túnicas e ótimas saídas de praia

IB - Atualmente, o que te inspira?

AB - No momento, o último desfile do Alexander McQueen.

IB - O que você gosta de fazer nas horas off?

AB - Andar pelas ruas, ver as vitrines, descobrir peças e lojas interessantes e ver as pessoas consumindo.

IB - Do que mais sente falta no Rio?

AB - Dos amigos e das paisagens. O Rio é lindo e São Paulo não é.

Por: equipe Ipanema.blog

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16 de novembro de 2009

Nos bastidores de Isabel Wilker

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Foto: Gabriel Mendes

O sobrenome é de peso, mas isso não parece intimidar Isabel Wilker. Pelo contrário. Modelo, atriz e apresentadora, ela diz que herdou a curiosidade dos pais, José Wilker e Mônica Torres, e se desdobra em mil e uma atividades. Além de estar à frente do programa Bastidores, do Multishow, Isabel se prepara para lançar um livro de poemas, participou do longa “Carioca”, junto ao seu pai, estuda para tentar mestrado em Letras, faz aulas de canto (para uma peça que quer montar em 2010) e ainda tem tempo para fazer colagens e fotografias (dois hobbies).

IB - Como foi a transição de atriz para apresentadora? A relação com a câmera muda?

IW - Eu trabalhei pouco como atriz antes de ser apresentadora. Passei um tempo estudando teatro, participei de curtas, e logo quando fiz meu primeiro trabalho como atriz na TV - em Ciranda de Pedra - fui aprovada pro programa Bastidores. Então passei a fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

A relação com a câmera é totalmente diferente! Apresentando, falo não só com a câmera, mas com todas as pessoas que estão assistindo ao programa em casa. É como se eu falasse com as pessoas através da câmera, tenho que pensar nisso sempre e interagir constantemente. Já o trabalho de atriz cria um jogo diferente, porque a câmera é como se fosse um olhar indiscreto, temos que fingir que ela não existe e não há a mesma interação direta com o público que está assistindo.

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Entrevistando o ator Marcelo Vale na Jordânia

IB -  Você sente mais prazer em um dos dois?

IW - Arriscaria dizer que gosto mais de atuar, mas quando apresento também atuo de certa forma. Precisei encontrar uma espécie de personagem que combina com o programa e que é diferente de mim. Então acaba que vivo sempre um pouco dos dois universos.

IB - E o início de carreira como filha de famosos? Ajudou, atrapalhou?

IW - Não posso dizer que atrapalhou. Mas acho essa relação um pouco complicada. Como eu já conhecia bem o meio, atores, diretores, produtores de elenco, começar a trabalhar não foi difícil. Já sabia por quem procurar, sabia como funcionava o mercado de trabalho.

Por outro lado, sempre tive medo de fracassar, de me expor de maneira negativa, de ser criticada. Sempre tive medo de decepcionar as pessoas e a mim mesma por causa das referências familiares. Aos poucos minha percepção foi se transformando e fui ganhando mais confiança.

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IB -Quando decidiu que também queria ser atriz?

IW - Sempre quis ser atriz, desde pequena quando comecei a entender o trabalho que meus pais faziam.  Passei a infância percorrendo os bastidores, sets de filmagens, coxias de teatro, estúdios de novela… Esse mundo sempre me fascinou.

IB - Aliás, o quanto a arte faz parte do seu dia-a-dia?

IW - A arte faz parte da minha vida. Eu leio o tempo todo, escrevo muito, faço colagens. A criação, mesmo que eu não esteja trabalhando em algo específico, sempre ronda minha cabeça. Herdei a curiosidade dos meus pais, gosto de saber o que está acontecendo no mundo, o que outros artistas estão fazendo. Sempre que posso viajo, visito museus, procuro novidades.

IB - E sobre ser modelo? O quanto a profissão e a moda fazem parte do seu dia-a-dia?

IW - Sou consumidora ávida de revistas de moda, muitas imagens me inspiram. Praticamente todo o material que uso nas minhas colagens vem de revistas de moda. Não sei direito explicar o que tanto me fascina, acho que essa troca de intenções entre fotógrafo e modelo cria um efeito muito interessante, e não só dentro do contexto da moda.

Eu sempre gostei de fotografar, mais do que de desfilar. Mas fui me afastando da profissão de modelo porque me interessei por outras coisas, encontrei outros meios de me expressar de maneira mais profunda, completa. Gosto de me arrumar, de comprar roupas e nesse sentido a moda faz parte do meu dia a dia. Trabalhando como modelo aprendi a escolher melhor o que me veste bem, conheci as marcas e os estilistas.

IB - Além dos Bastidores, quais são seus projetos atuais?

IW - Estou as voltas com um projeto de publicar um livro de poemas e colagens. Comecei o livro durante o último período da faculdade de Letras e entreguei o projeto como minha monografia. Ainda preciso escrever mais poemas, enfim, acabar o livro mesmo.

Estou estudando para o mestrado, também em Letras, e recentemente comecei a fazer aulas de canto por conta de um musical que estamos tentando montar no começo do ano que vem.  E continuo fazendo testes pra cinema e TV. E ano que vem ainda tem mais Bastidores no Multishow!

IB - Você pode falar sobre seu papel no filme Carioca? Como entrou no projeto?

IW - Entrei no projeto porque o Julio Secchin, diretor do filme, queria que meu pai fizesse uma participação. Fiz a ponte entre os dois e pedi uma pontinha no filme!

IB - O que você mais gosta de fazer nas horas vagas aqui no Rio?

IW - Ler, escrever, ir ao cinema, ouvir música, passear pela cidade.

IB - Como você se apresentaria para alguém que não te conhece?

IW - hahaha…Nunca sei… Mas acho que algo perto de: Oi, sou a Bel, tudo bem?

Por: equipe Ipanema.blog

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09 de novembro de 2009

A arte no concreto de Felipe Morozini

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O Brasil, cada vez mais, é reconhecido por seus street-artists que ilustram as cidades com grafites e outras intervenções urbanas. Uma das mais recentes foi o “Jardim Suspenso”, feito em outubro deste ano, pelo fotógrafo e street-artist Felipe Morozini. Junto à 21 amigos, Morozini criou um jardim concreto no “Minhocão” de Sampa (avenida suspensa criada por Maluf) ao desenhar flores brancas ao longo da via.

Advogado por formação, a fotografia chamou o artista há nove anos, quando começou a trabalhar para a Revista Capricho. Aqui, no Ipanemablog, ele discute a arte de rua e diz que “o Brasil atualmente é um dos lugares mais criativos do mundo”. Para o artista, toda essa criatividade ainda não teve seu valor descoberto pela população e empresas nacionais. “Nós podemos tudo, mas falta a iniciativa privada apoiar mais artistas independentes, como ocorre lá fora”, conta ele que criou o conceito do “Jardim Suspenso” por já morar há sete anos em frente ao Minhocão e querer “deixar a cidade mais bonita. Trazer um respiro…uma brisa” ao espaço concreto.

Foto: Felipe Morozini

Apesar da boa recepção, ele lamenta o fato da população ainda não ter se aberto totalmente à arte de rua. “As pessoas ainda não perceberam o poder desta arte. Só se fala na exposição dos Os Gêmos na FAAP, que a exposição inteira foi vendida…mas onde eles começaram? Na rua!”, diz ele, que completa. “Esse tipo de intervenção educa, modifica as mentes, preenche espaço com conteudo e, felizmente, está mais proximo do que imaginamos”.

Foto: Felipe Morozini

Para tornar essa aproximação ainda maior, Morozini investe em trabalhos que aumentem o vínculo entre o indivíduo e arte. Atualmente, além dos projetos do seu estúdio, AM/FM, ele é responsável pelo calendário 2010 junto à Plastik, participa da expo coletiva na Galeria Mezanino e está à frente do projeto “Residência na Residência”, no qual receberá, uma semana por mês, um artista na sua casa para trabalhar com processo criativo e desenvolvimento de projetos. “E ainda mantenho o blog Feio na Foto, que é uma critica a sociedade moderna e o hedonismo autosustentável, sobre os prazeres da vida”, completa.

Isso tudo ainda em 2009. Para 2010?Bem, 2010 promete. Quero pintar flores em tudo. Sonhar mais alto”, finaliza.

Por: equipe Ipanema.blog

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06 de novembro de 2009

Sharon Battat - Made in NY

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A história começa assim: Muitos dos seus amigos já haviam visitado o Brasil e falado para ela que NY não seria ninguém depois que conhecesse o Rio de Janeiro. Compromissos pra lá e pra cá, até que, em um restaurante cubano da cidade americana, ela e o grupo de amigos decidiram passar férias no Rio. E o que os amigos previam aconteceu. Hoje, já fazem três anos que a produtora Sharon Battat mora na cidade.

Por aqui, além de ter um vira-lata de estimação, Sharon está à frente do seu escritório Litmedia (com sede em NY), recentemente fez a curadoria da expo Spirit of Brazil e organizou a festa da Calvin Klein, que rolou, em outubro, no Fasano, para apresentar a nova coleção de lingerie e jeans da grife. Aqui, com o português temperado com seu sotaque gringo, ela fala sobre  moda, arte, estilo e, é claro, Rio de Janeiro.

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IB - Você está no Brasil há cerca de três anos.  Como começou a sua relação com o país e por que decidiu morar aqui?

SB - Sempre tive vontade de conhecer o Brasil, e por um motivo ou outro não consegui vir. Tinha amigos de NY que voltaram a morar no país e sempre me ligavam falando que eu tinha que vir, pois nunca mais iria querer voltar para NY. Finalmente um dia eu estava com amigos em NY, no frio do inverno, com neve ate o joelho, e falei “de maluca”: vamos tirar férias no Brasil! Não pensamos nem um minuto e logo um de nós estava ligando para reservar passagens.

Quando cheguei aqui achei o lugar mais lindo que já havia visto (e não é fácil me impressionar, pois já viajei muito pelo mundo). Não existe lugar mais bonito do que o Rio. Adoro o pôr do sol da praia em Ipanema e como as luzes do Vidigal parecem estrelas na montanha. Voltei a NY e fiquei com uma saudade absurda do Brasil. Foi quando decidi abrir a Litmdeia aqui também.

IB - Quais as diferenças entre a moda no Rio e em NY, que você percebe?

SB - O Rio é uma cidade muito cosmopolita. Tem gente do mundo inteiro aqui e a moda brasileira e internacional se seguem. Mas tem diferença no personal style do carioca. Cariocas são mais naturais, mas acho que sempre tem essa diferenca quando as pessoas moram perto da praia. NY não dá para definir. Tem tantas pessoas diferentes.

IB - Você está por trás do Spirit of Brazil… Como você define o espírito do brasileiro?

SB - Foi um projeto que fez muito sentido. Eu adoro o Brasil e trabalho com fotografia. Foi uma curadaria muito divertida e algo muito natural. O espírito brasileiro para mim é livre e feliz.

IB - E entre os artistas brasileiros (seja na moda, artes plásticas, música etc.)?  Quem você curte?

SB - Acho que tem muitos artistas muito talentosos no Brasil. Existe muita criatividade. Adoro o trabalho do Smael, Gais, Braga, Piá, Leo Uzai, João Lelo, Mate Lelo, Ment, Antonio Bokel, Ricky Castro, Flavio Samelo, Angelina Camelo. SP tem muitas galerias mais alterantivas e agora tem o Cartel 011 e Matilla Cultural que estão fazendo coisas bem legais. Música realmente conheço mais a antiga. Não conheço muitas bandas novas, mas acho que vale à pena prestar atenção no trabalho do Pedro Kakowicz.

IB - O que mais gosta de fazer para se divertir por aqui?

SB - As coisas que eu mais gosto no Rio realmente são a praia e a Lagoa. Mas acho que deveria ter um tipo de boate na praia ou nos quiosques da Lagoa, como tem em Ibiza. Imaginei que cidade teria muito disso e não tem nem um. Gosto muito do Baile de Charme, que rola no Viaduto de Madureira e do GIG.

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IB - Quem você vê como um ícone da moda brasileira?

SB - Daniel Ueda. Ele entende muito de moda. É capaz de fazer 10 desfiles em um dia e cada um ser diferente um do outro. Outra pessoa que, sem dúvida, é um ícone da moda brasileira é o Giovanni Bianco, e nem preciso falar o por quê.

IB - Além do Spirit of Brazil, quais são seus projetos atuais?

SB -  Fizemos o evento da Calvin Klein Jeans na Piscina do Fasano. O Felipe Veloso fez o styling e a Erika Monterio a beleza. Acabei de fazer a curadoria para duas exposições que rolarão ano que vem. A Litmedia está começando a abrir outras portas, fazendo consultoria para marcas e experimentando representar no Brasil alguns fotógrafos de fora como o Vincent Peters e Sacha T.

IB - Tem projetos específicos para o Brasil em vista?

SB - Acabei de fazer a curadoria para uma exposição do Keith Haring, que acontecerá ano que vem, para marcar os 20 anos de sua morte. Queria fazer algo que celebrasse a vida e o trabalho dele e ao mesmo tempo integrasse a questão da prevenção do HIV, com alguns parceiros legais e palestras de amigos do Keith. Estou bem empolgada com esse projeto.

IB - Se pudesse levar um pedacinho do Rio para NY qual seria?

SB - Com certeza seria a praia, água de coco, minha vira-lata e meu periquito, que veio de Niterói!

Por: equipe Ipanema.blog

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30 de outubro de 2009

Clarice Falcão

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Filha do cineasta João e da roteirista e escritora Adriana Falcão, Clarice Falcão já tem muita história para contar, nos seus 20 anos recém-completados. Atriz e cantora, ela estreou nos palcos aos 12 anos na peça “A Ver Estrelas” e, como cantora, em uma faixa da trilha sonora de “Lisbela e o Prisioneiro”, de 2003. Além disso, ela participou do longa “Fica comigo esta noite” e ganhou o concurso Project: Direct, realizado pelo Youtube em 2007, com o curta “Laços”, o qual ela idealizou e atuou.

Atualmente, Clarice está em cartaz no Teatro das Artes com a peça “Confissões de Adolescente”, que recebeu nova adaptação dirigida pelo também premiado Matheus de Souza. Entre atuação e a faculdade de Cinema, Clarice ainda concilia o tempo com a sua banda (ela inclusive canta algumas das suas composições durante a peça) e descobre “a magia do Baixo Gávea”.

IB - Como você começou no mundo das artes?

CF - Eu comecei nascendo nele. Meu pai e minha mãe sempre trabalharam com isso e eu cresci vendo os atores passando os textos nos camarins. Eu resolvi que queria ser dessa turma muito cedo e fiz a minha primeira peça com 12 anos.

IB - E ter seus pais na platéia? Ajuda, intimida?

CF - Intimida, claro. Mas tudo que intimida ajuda. Afinal, sem aquele medinho de que algo dê errado, a gente não se esforça o suficiente pra que dê certo.

IB - Como concilia a música, estudos e trabalho no cinema e teatro?

CF - Eu não concilio. Estou fazendo só duas matérias na faculdade e ainda assim bem mais ou menos. Estou com a impressão de que só vou me formar com 37 anos.

IB - Como sente a diferença entre a atuação na TV e teatro?

CF - É completamente diferente. Além de uma ter que ser obviamente menos exagerada que a outra, em TV se faz tudo com muito pouco tempo de preparo e com a história fora de ordem. E, claro, não tem a reação do público de imediato. No teatro, o público quase escolhe como é que ele quer que a gente faça a peça.

IB - Quais os principais trabalhos já realizou?

CF - Fiz um filme com o meu pai chamado “Fica Comigo Esta Noite“, alguns curtas pro Youtube (um deles, “Laços,” foi pra Sundance) e tenho uma banda.


IB –
E sobre “Confissões de Adolescente”. Fale um pouco sobre a sua parte na peça.

CF - Não tem muito uma “personagem” porque são vários esquetes. E é claro que cada menina puxa um pouco pra um lado da adolescente e cada uma tem o seu jeito de interpretar, mas acho que todas fazem um pouco o mesmo papel.  Eu acho que faço um lado mais cômico.

IB - Como é dividir suas próprias confissões com o público?

CF - Algumas coisas são verdade, algumas coisas não são. Eu tento fazer tudo bem parecido pra ninguém conseguir adivinhar!

IB - Quando não está trabalhando/estudando, o que gosta de fazer?

CF - Gosto muito de cinema e literatura, mas também adoro sair pra dançar. Com a peça eu estou em processo de descoberta da magia do Baixo Gávea.

Por: equipe Ipanema.blog

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23 de outubro de 2009

Jum Nakao

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Estilista e diretor de criação, Jum Nakao começou sua carreira na área de eletrônica, mas não demorou muito para perceber que seria na moda onde encontraria a sua linguagem. Após estudar Coordenação Industrial Têxtil e Artes Plásticas passou por grandes marcas brasileiras, atuou como diretor criativo de eventos importantes e expôs seu trabalho em Paris e Nova Zelândia.

O ponto alto (visto como tanto emocionante, como polêmico) da sua carreira foi em 2005 no SPFW quando desfilou a coleção “A Costura do Invisível” (também se tornou livro e documentário) feita toda em papel vegetal que, ao final, foi rasgada em cena, pelas próprias modelos, como parte da apresentação.

Atualmente, além de trabalhar no seu ateliê, em São Paulo, Jum Nakao é constante em eventos sobre processo criativo. Nesta sexta, o artista chega ao Rio para participar da palestra “Desconstrução das Referências de Moda”, pelo Instituto Rio Moda (que acontece também amanhã), mas antes bateu um papo-cabeça com o Ipanema RJ sobre moda, artes, processo de criação e, é claro, o cenário brasileiro.

A Costura do Invisível
Fotos: Sandra Bordim

IB - A sua arte sempre foi conceitual. Você acha que, hoje, o brasileiro está pronto para consumir conceito?

JN - O Brasil ainda é muito carente de educação de qualidade. A cultura está em último plano. Podemos dizer que o brasileiro ainda é um analfabeto estético. Isso tudo acaba refletindo na produção de moda.

Por isso, os artistas/estilistas se tornam reféns da “ignorância”. Eles tentam fazer sua parte, querem produzir conteúdo de boa qualidade para o público, ao mesmo tempo em que tem que manter suas marcas. Então, acabam sucumbindo ao mercado e tendo sua produção limitada àquilo que o público compreende.

IB -  Como você vê este período que estamos vivendo nas artes? Como poderíamos definí-lo?

JN - A gente está vivendo um período de estagnação. Tem uma nova geração lutando para tirar o Brasil do marasmo e gerar conteúdo de verdade, que atinjam o público de forma a transformá-lo, educá-lo, mas o brasileiro é muito influenciado por modismos. Os valores para o consumo deveriam ser repensados. Há um grande vazio na população. Se digere pouco daquilo que se consome.

O momento atual está desconectado das essências. Existem preocupações com números, estatísticas, crescimento e se esqueceu de pensar numa sociedade melhor. Os valores se tornaram extremamente materiais e numéricos. Falta essência, valorização do conteúdo imaterial, de bons princípios e foco em educar o público para absorver além do que é percebido. As pessoas estão correndo tanto que ficam apenas na superfície de tudo. E moda é apenas um dos canais de reflexão que mostra o que está acontecendo no país como um todo.

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IB - Como você vê as tão faladas cópias no mundo da moda (você até foi entrevistado em uma matéria polêmica sobre o assunto publicada na Revista Piauí em junho de 2007)?

JN - A questão da influência/inspiração é complicada. Pois, uma coisa é você buscar algo que te leve a criar, outra é agir de forma pirata, se inspirando num produto pronto onde 99% é a adaptação deste produto para o seu público alvo. É extremamente ridículo, mas só o público seria capaz de mudar esta condição, ao exigir do estilista algo legítimo. Mas isto envolve toda a questão cultural, de valores, ainda a ser muito trabalhada no Brasil.

IB - Do que é composto o mundo de Jum Nakao?

JN - Estou o tempo todo conectado com o que está acontecendo ao meu redor.  Toda obra tem que ter diálogo com o meio e com o público.  O artista deve pensar em inputs capazes de gerar reações e estar conectado com o entorno, mas muitos vivem numa redoma, criando para um universo sem interação com a sociedade, sem diálogos abertos e multiplicadores. Neste momento acredito que deveríamos pensar em algo que propicie o crescimento das pessoas, para que elas possam aprender e aprimorar suas referências.

Por: equipe Ipanema.blog

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20 de outubro de 2009

Mayana Moura

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Timidez não pode ser uma característica atribuída à ela.  Descoberta por Mario Testino, Mayana Moura já foi menina dos olhos do estilista Karl Lagerfeld, da Chanel, mas não esconde que a música é a sua maior paixão. Depois do fim do grupo O.M.I, que formou com as também modelos Omahyra e Isabel, a menina voltou para o Brasil e atualmente divide um apê  com a produtora de moda Marina Franco (com quem tem a banda Glass and Glue).

Apesar de já ter pisado em passarelas bem bacanas,  foi no palco que ela sentiu sua maior energia. “Abrir o show do Suicidal Tendecies em L.A (no Viper Room, antigo bar de Johnny Depp) foi a coisa mais louca que fiz. Só de estar lá com os marmanjos sedentos de sangue na platéia!”, conta. E se você pensa que Mayana pára no estilo, saiba que ela divide seu tempo entre os estudos de filosofia, artes cênicas e a gravação do primeiro álbum do GNG. Ah! Aos desavisados… Ela odeia a lei antitabagismo…

IB - Como começou sua carreira de modelo? (quantos anos tinha etc)
MM -
Estava numa festa e o fotógrafo peruano Mario Testino me chamou pra fazer umas fotos porque gostou do jeito que me vestia - Rock, Punk, Trash. Na época eu tocava baixo numa banda e fazia camisetas em NY. Estava visitando os amigos no Rio quando surgiu o convite. Eu tinha 17 anos.

IB - Como foi a experiência de viver fora como modelo? A rotina era muito diferente da que você tem agora?
MM -
Eu sempre quis ser independente, portanto sou grata à carreira de modelo nesse sentido. Porém para mim, daria no mesmo qualquer outro trabalho que me gerasse independência. Nunca quis ser modelo, tive dificuldade com a rotina e com o ambiente de trabalho, mas me orgulho do que fiz e fico feliz de ter trabalhado com os grandes nomes desse mundo.

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IB - Como começou na música? E quando você viu que poderia viver disso também?
MM -
Música é e sempre foi o grande amor da minha vida. Sempre soube que trabalharia com isso, porém viver disso…

IB - O  que você faz atualmente?
MM - Além de ser vocalista e compositora do GNG, estudo artes cênicas e filosofia. Ah! Atualmente estou muito empenhada em solar como o Brian Setzer.

IB - Solteira, casada ou taken?
MM - Don´t talk about it
.

IB - Quais são seus artistas preferidos? Na música, moda, artes em geral…
MM -
Música: Lou Reed, Stray Cats, Annie Lennox, Marilyn Manson, Bat for Lashes, Bowie, Blondie, Ramones, Arcade Fire e The Gossip. It goes on… The list is way too long.
Atores: Eu amo o Jeremy Davies e a Meryl Streep.
Books:  Qualquer um do Schopenhauer, Rimbaud, Nietzsche, Edgar Allan Poe, Joseph Campbell…
Moda: Mr Karl Lagarfeld and  Dior.

IB - O que te fez voltar para o Brasil e o que é o melhor de morar no Rio?
MM - O clima  e por me sentir em casa. Além disso, o que me fez voltar foi o término da minha primeira banda, a O.M.I . Voltei e comecei a estudar artes cênicas.

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Foto: Yann Dandois

IB - Quais são seus lugares preferidos para sair aqui e o que você gosta de fazer quando está “à toa”?
MM - Eu gosto de ver filmes, escrever, tocar guitarra, comer (amo comer), encontrar os amigos em casa… Eu sou caseira, quando saio vou ao Empório, Cinemathéque, barzinhos no Leblon, cinema… Não gosto de Teatro.

IB - Quais são seus acessórios e roupas preferidos?
MM -
Uma bota preta linda da Dolce, que customizei com o passar dos anos. Ela tem metais, um spike atrás. It´s a metal weapon. Very sexy one.

IB - Moda pra você é…? E a música?
MM -
Moda pra mim é saber o que te favorece. Música é o único deus que conheço.

IB - Qual pergunta ninguém nunca te fez e você adoraria responder?
MM - Sobre a Lei Antitabagismo em vigor em São Paulo
. Em ambientes fechados haver a proibição em geral,ok, mas não poder fumar em performances no palco? Debaixo dos toldos? Num bar só para tabagistas e simpatizantes “suicidas”?

Para todos os mal-encarados que reclamam do cheiro dos fumantes nos elevadores! Vão se F#$%&!

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IB - Projetos atuais? Álbum do Glass and Glue em vista?
MM - A banda vem trabalhando o repertório e estou muito feliz com as letras, arranjos e idéias. We´ll rock this town!!
Inside

Out!!!!

IB - Como você resumiria a sua vida?
MM -
Assim como Schopenhauer eu concordo que “o problema da vida é que o gatinho vira o gato”. A minha vida foi, e é, de tobogã pro inferno e de jato pro céu. It goes on and on and it has been quite a life! I can´t complain!

** Fotos: Divulgação

Por: equipe Ipanema.blog

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